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Geologia, topografia e adubações
Tipologia A
Tipologia A, declive >20% , terrenos nesta situação só devem ser armados em patamares estreitos (2,5 a 5,0 metros de largura, com 1 ou 2 linhas respectivamente).





Tipologia B
Tipologia B, declive entre 8% e 20% , os terrenos nesta situação poderão ser armados em patamares largos ou vinha ao alto (instalação da vinha segundo a linha de maior declive).





Tipologia C
Tipologia C, declive < 8% , nestes terrenos a instalação da vinha pode ser efectuada sem alteração do perfil original.







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Geologia, topografia e adubações
A actual Região Demarcada dos Vinhos Verdes estende-se por todo o noroeste do país, na região agrícola conhecida como Entre-Douro-e-Minho. Tem como limites a norte o rio Minho (fronteira com a Galiza); a nascente e a sul zonas montanhosas que constituem a separação natural entre a influência Atlântica e a zona mais interior de características mediterrânicas; por último o Oceano Atlântico constitui o seu limite a poente. Orograficamente, a região apresenta-se como "um vasto anfiteatro que, da orla marítima, se eleva gradualmente para o interior" (Amorim Girão), expondo toda a zona à influência do oceano Atlântico, fenómeno reforçado pela orientação dos vales dos principais rios, que correndo de nascente para poente facilitam a penetração dos ventos marítimos.

A maior parte da região assenta em formações graníticas, constituindo excepções duas estreitas faixas que a atravessam no sentido Noroeste-Sudeste, uma do silúrico, onde aparecem formações carboníferas e de lousa, e outra de xistos do arcaico.

O solo tem, na maior parte da região, origem na desagregação do granito. Caracteriza-se, regra geral, por apresentar pouca profundidade, texturas predominantemente arenosas a franco-arenosas (ligeiras), acidez naturalmente elevada e pobreza em fósforo.

Os níveis de fertilidade são naturalmente baixos, no entanto, dada a natureza dos sistemas agrários praticados desde tempos recuados na região, os solos apresentam uma fertilidade adquirida considerável, que permitiu durante séculos suportar as mais altas densidades populacionais do país. A conquista desta fertilidade pode resumir-se a dois principais tipos de intervenções do homem nas condições naturais: o controlo do relevo pela construção de socalcos e as incorporações intensivas e persistentes de matéria orgânica no solo.

Adubações

Adubação de fundo
Sendo a vinha uma cultura perene é fundamental criar uma boa reserva de nutrientes em profundidade antes da plantação. A quantidade de nutrientes a aplicar é função da fertilidade do solo avaliada mediante a análise resultante da colheita da amostras de terra a 2 níveis (0-20cm e 20-50cm). Em função dos resultados será feita a recomendação da adubação de fundo. Deve dar-se especial atenção aos valores da análise do segundo nível, pois é aí a zona de desenvolvimento das raízes.

Correcção Orgânica
Como os solos com maior aptidão para a cultura da vinha não são naturalmente ricos em matéria orgânica, há necessidade de proceder à incorporação de estrume ou outros compostos orgânicos alternativos (guano, fertor). Em termos médios, recomenda-se a aplicação de 20 a 30 ton/ha de estrume ou 6 a 9 ton/ha quando se recorre a compostos orgânicos.

Correcção do pH
Normalmente, os solos da região são por natureza ácidos, sendo necessário fazer a correcção do pH para valores entre 5,6 e 6,5 por aplicação de calcário composto (com magnésio de preferência). A quantidade a aplicar é função do resultado da análise, sendo condicionado pelo teor de matéria orgânica. Todavia em termos médios pode-se recomendar a aplicação de 3 a 5 ton/ha.

Adubação Fosfo-potássica
Entre os nutrientes principais à cultura da vinha salientam-se o fósforo e o potássio. Sendo ambos pouco móveis no solo, sobretudo o fósforo, devem ser enterrados em profundidade e em quantidade tal, que garanta uma boa reserva. Assim em termos médios recomenda-se a aplicação de 300 unidades de P2O5/ha e de 400 unidades de K2O/ha. Estes nutrientes poderão ser fornecidos sob forma de adubos elementares, tais como, o Superfosfato de Cálcio a 18% e o Sulfato ou Cloreto de Potássio a 60%, ou ainda em adubos compostos, do tipo Foskapa. Sempre que não possam ser incorporados pela surriba, estes correctivos e adubos devem ser incorporados com a charrua do tractor a 40 cm de profundidade antes da plantação (caso das parcelas pequenas) e sempre que se proceda apenas à ripagem.
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